Os Leigos Boa Nova são jovens em Missão: anunciar Jesus Cristo, servir os mais pobres do mundo e promover a solidariedade, o desenvolvimento, a justiça e a paz.

.posts recentes

. D. António Couto vai apre...

. Conferência sobre Volunta...

. Ceia de Natal Comunitária

. Concurso de Ideias para a...

. Jornadas Missionárias 201...

. Pontes de Comunhão em Moç...

. "SER CRISTÃO É SER MISSIO...

. Voluntários partem em Mis...

. Espectáculo de Solidaried...

. É urgente agir a partir d...

.arquivos

. Janeiro 2011

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Maio 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Solidariedade

publicado por Sérgio Cabral às 22:02
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Segunda-feira, 21 de Maio de 2007

A Morte do Eurocentrismo


Este grande livro, da autoria do historiador John Darwin (Oxford), é uma sublime tareia na visão eurocêntrica do mundo. Esta sova historiográfica começa logo na pergunta de partida: como perceber a actual globalização marcada pelo sucesso das nações asiáticas?
John Darwin começa por dizer que uma história global dos últimos séculos não pode ser centrada apenas nos europeus/ocidentais. O imperialismo não foi o pecado original da Europa. Povos não-ocidentais (otomanos, persas, chineses ou japoneses) também construíram os seus impérios. E - este é o ponto-chave - a história da economia global é, desde há séculos, uma história de interligação entre as experiências imperiais ocidentais e os grandes poderes da Eurásia (China, Índia, Japão, etc.). A globalização não é um projecto eurocêntrico; a globalização foi e é uma articulação, tensa e conflituosa, entre ocidentais e asiáticos.
E nesta questão da globalização, defensores (liberais) e críticos (marxistas) do Ocidente liberal são mais parecidos do que parecem. Os liberais falam da "modernização" que o Ocidente transmitiu ao mundo. Os marxistas falam da "exploração" que os ocidentais impuseram ao resto da humanidade. Mas, como salienta Darwin, estas duas escolas rivais partilham o mesmo pressuposto errado: a certeza inquestionável de que o Ocidente foi e é o único motor da história; o homem ocidental é visto como o único actor; o homem asiático é encarado como um ser passivo, que aguarda bucolicamente pelas acções, benignas ou malignas, do Ocidente. Darwin critica o eurocentrismo gémeo de liberais e marxistas, reafirmando que a globalização não é um projecto desenhado no estirador iluminado do Ocidente.
As nossas crianças aprendem na escolinha o seguinte: no século XVI, os navegadores portugueses despertaram os adormecidos povos do Índico para os benefícios do comércio. Ora, isto é um mito. Darwin mostra que a economia global não foi criada pelo Toque de Midas dos mercadores europeus. Antes da Era Vasco da Gama, já existia uma forte actividade comercial entre Índia, China, Japão e costa oriental de África. Se quisermos, já existia uma "globalização" asiática antes de as caravelas darem um ar da sua graça. Perante este cenário histórico, percebemos que o actual triunfo das economias asiáticas não representa uma emergência inesperada; representa, isso sim, uma re-emergência previsível. É bom lembrar que em 1750 existia um equilíbrio económico entre a zona europeia e a zona asiática (China e Índia eram as maiores economias do mundo). Hoje, a grande divergência económica entre o Ocidente e a Ásia (que ocorreu entre meados do século XIX e meados do século XX) está a dar lugar a uma grande convergência. Os asiáticos estão a recuperar o lugar que lhes pertence. Estamos a voltar ao equilíbrio de 1750. Nos últimos anos, devido à crise transatlântica, muitos intelectuais assinaram a certidão de óbito do Ocidente. Enganaram-se. Aquilo que morreu recentemente não foi o Ocidente (projecto político e moral), mas sim o eurocentrismo (o hábito intelectual que coloca o espaço euro-atlântico no centro do mundo, como único factor de acção e mudança). O período de total predomínio ocidental sobre o resto do mundo foi apenas um pequeno interlúdio do qual os nossos avós e pais usufruíram. Nós, em 2007, já não fazemos parte dessas gerações de ocidentais privilegiados. A era da tutela ocidental sobre o resto do mundo acabou. Habituemo-nos.

 

Henrique Raposo in Jornal Público, 21/05/2007

publicado por Sérgio Cabral às 21:19
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31

.tags

. todas as tags

.links

.Webstats4U

blogs SAPO

.subscrever feeds